O refluxo gastroesofágico (RGE) é comum em bebês, mas quando persiste ou é intenso, pode atingir as vias aéreas e provocar sintomas respiratórios que confundem — e muitas vezes atrasam — o diagnóstico correto.
Como o refluxo afeta a respiração?
O ácido gástrico que sobe pelo esôfago pode atingir a laringe, traqueia e até os brônquios. Isso provoca inflamação crônica nas vias aéreas, levando a tosse persistente, chiado recorrente, rouquidão e até pneumonias de repetição.
Sinais que sugerem refluxo com repercussão respiratória
- Chiado que piora ao deitar ou após as refeições
- Tosse seca persistente, especialmente noturna
- Engasgos frequentes durante ou após as mamadas
- Pneumonias repetidas sem causa infecciosa clara
- Apneias em recém-nascidos associadas à alimentação
Como investigar?
A pHmetria esofágica prolongada é o exame padrão-ouro para confirmar o refluxo e sua extensão. A endoscopia pode avaliar lesões no esôfago. Em bebês com sintomas leves, um teste terapêutico com medidas posturais e dietéticas pode ser a primeira abordagem.
Tratamento
Medidas posturais (elevar a cabeceira, manter o bebê ereto após as mamadas), ajuste do volume das refeições, espessamento do leite e, em casos selecionados, medicação com inibidores de bomba de prótons. O acompanhamento conjunto entre o pneumologista pediátrico e o gastroenterologista é fundamental.